
Apneia do Sono
Apneia do Sono: O que é, riscos, diagnóstico e tratamento
Dormir deveria ser um processo restaurador.
Mas para muitas pessoas o sono se transforma, silenciosamente, em um período de estresse fisiológico contínuo — sem que elas percebam.
A apneia do sono é uma das principais causas desse problema.
E o mais preocupante é que a maioria das pessoas que tem apneia não sabe que tem.
Este guia foi criado de forma clara e responsável para responder as seguintes perguntas
(clique se desejar ir direto a resposta da pergunta correspondente):
O que a apneia do sono pode causar se não for tratada?
A apneia do sono não é apenas “parar de respirar à noite”.
Ela provoca microdespertares repetidos, queda da qualidade do sono e uma ativação constante de mecanismos de estresse no organismo.
Com o tempo, isso gera consequências que vão muito além do cansaço.
Durante o dia
Muitos pacientes relatam:
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sonolência excessiva
-
cansaço persistente, mesmo após várias horas de sono
-
dificuldade de concentração e lapsos de memória
-
queda de produtividade no trabalho ou nos estudos
-
irritabilidade, ansiedade e alterações de humor
-
maior risco de acidentes, especialmente ao dirigir
-
Frequentemente esses sintomas são atribuídos ao estresse, à rotina ou à idade — e a causa real permanece oculta.
A médio e longo prazo
Quando a apneia não é tratada, o impacto se acumula de forma progressiva:
-
Alterações neurológicas, com prejuízo cognitivo e da memória
-
Aumento do risco de depressão e outros transtornos psiquiátricos e comportamentais
-
Maior risco de obesidade e doenças metabólicas, incluindo resistência à insulina e diabetes
-
Hipertensão arterial de difícil controle
-
Arritmias cardíacas
-
Aumento do risco de infarto e AVC
Esses efeitos não surgem de um dia para o outro, mas se constroem ao longo dos anos, muitas vezes sem sintomas específicos no início.
Durante o sono
Enquanto a pessoa dorme, o organismo deveria se recuperar.
Na apneia do sono, acontece o oposto.
O que ocorre repetidamente ao longo da noite:
-
o sono é fragmentado
-
o corpo não consegue se restaurar adequadamente
-
há redução do sono profundo e do sono REM
-
ocorre acúmulo de toxinas no cérebro, prejudicando funções cognitivas
-
surgem alterações no controle da glicose e da insulina
-
há instabilidade no controle cardiovascular, com picos de pressão e frequência cardíaca
Mesmo que a pessoa durma muitas horas, ela acorda com a sensação de que o sono “não funcionou”.
O que é apneia do sono?
A apneia do sono é uma condição em que a respiração se interrompe parcial ou totalmente repetidas vezes durante o sono.
Essas interrupções acontecem porque a via aérea superior se estreita ou colapsa, dificultando a passagem do ar.
Como consequência:
-
o nível de oxigênio pode cair
-
o cérebro é obrigado a provocar microdespertares para reabrir a via aérea
-
o sono perde sua continuidade e profundidade
O ponto mais importante é que a pessoa geralmente não percebe esses despertares.
Ela apenas acorda cansada, sonolenta ou com sintomas aparentemente “sem explicação”.
A forma mais comum é a apneia obstrutiva do sono (AOS), mas o impacto da doença depende de muito mais do que apenas o número de pausas respiratórias.
Roncar é sintoma de apneia do sono?
Nem todo ronco significa apneia.
Mas o ronco nunca deve ser ignorado.
O ronco ocorre quando o ar passa por uma via aérea parcialmente estreitada, fazendo os tecidos vibrarem. Em alguns casos, ele é apenas um ruído.
Em outros, é um sinal de alerta importante.
O ronco merece investigação quando:
-
é frequente e intenso
-
ocorre praticamente todas as noites
-
é acompanhado de pausas respiratórias observadas por outra pessoa
-
vem associado a engasgos, sufocamento ou despertares noturnos
-
coexistem sonolência diurna, cansaço ou dores de cabeça ao acordar
Por isso, o ronco não é apenas um problema social ou estético.
Ele pode ser um sintoma de uma condição clínica relevante.
Por que a apneia do sono costuma ser “silenciosa”?
A apneia do sono é traiçoeira porque:
-
é silenciosa!
-
acontece durante o sono
-
os despertares são breves e não percebidos pelo paciente
-
o corpo se adapta ao cansaço progressivamente
-
os sintomas surgem de forma lenta e progressiva
Muitas pessoas convivem com a doença por anos acreditando que:
-
“sempre dormiram mal”
-
“o problema é estresse”
-
“é normal roncar”
-
“o cansaço faz parte da vida adulta”
-
“é normal quando envelhece”
Esse atraso no diagnóstico é um dos principais motivos pelos quais a apneia acaba sendo identificada apenas quando já trouxe impactos significativos à saúde.
O ponto positivo é que se você desconfia que tem apneia do sono e está lendo este guia quer dizer que está criando nível de consciência para entender melhor e procurar ajuda, e isso o a frente de 99% dos indivíduos com apneia do sono não diagnosticada.
Vamos então entender quais os principais sintomas da apneia do sono?
Quais são o principais sintomas da apneia do sono?
A apneia do sono pode se manifestar de formas diferentes em cada pessoa.
Por isso, muitas vezes ela não é reconhecida como um problema do sono, mas como um conjunto de queixas aparentemente desconectadas.
Os sintomas podem aparecer à noite, durante o dia ou de forma mais sutil, ao longo dos anos.
Sintomas durante o sono
Muitos desses sinais são percebidos por quem dorme ao lado — e não pelo próprio paciente:
-
Ronco frequente e intenso
-
Pausas respiratórias observadas durante o sono
-
Engasgos, sufocamento ou sensação de falta de ar à noite
-
Sono agitado, com muitos movimentos
-
Despertares frequentes, mesmo sem motivo aparente
-
Suor excessivo noturno
-
Boca seca ou dor de cabeça ao acordar
Mesmo quando a pessoa “dorme a noite inteira”, o sono costuma ser fragmentado e pouco reparador.
Sintomas durante o dia
Durante o dia, os sinais costumam ser mais evidentes — mas nem sempre são associados ao sono:
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Sonolência excessiva
-
Cansaço constante
-
Falta de energia ao acordar
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Dificuldade de concentração
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Falhas de memória
-
Queda de desempenho profissional ou acadêmico
-
Irritabilidade e alterações de humor
-
Ansiedade ou sintomas depressivos
Um ponto importante:
👉 nem todo paciente com apneia sente sono excessivo, especialmente mulheres, pessoas mais jovens ou pacientes com baixo limiar de despertar.
Sintomas menos óbvios (e frequentemente ignorados)
A apneia do sono também pode se manifestar de forma indireta:
-
Hipertensão difícil de controlar
-
Arritmias cardíacas
-
Ganho de peso progressivo
-
Resistência à insulina ou diabetes de difícil controle
-
Redução da libido
-
Dores de cabeça matinais
-
Sensação de “mente lenta” ou confusa
Esses sinais costumam ser tratados isoladamente, enquanto a apneia — que pode ser a causa central — permanece sem diagnóstico.
Como saber se eu posso ter apneia do sono?
Uma pergunta comum é:
“Como eu posso desconfiar que tenho apneia?”
Alguns sinais de alerta merecem atenção especial:
-
Roncar com frequência
-
Acordar cansado mesmo dormindo várias horas
-
Sentir sono durante o dia ou em situações passivas
-
Ter pressão alta, diabetes ou arritmias sem causa clara
-
Ter histórico familiar de apneia do sono
-
Receber relatos de pausas respiratórias durante o sono
Mesmo na ausência de ronco intenso, a apneia pode estar presente.
👉 A suspeita clínica é o primeiro passo, e ela deve levar à investigação adequada.
Questionários ajudam, mas não fecham diagnóstico
Existem questionários usados para triagem, como escalas de sonolência e risco de apneia.
Eles podem ajudar a levantar suspeita, mas não substituem exames diagnósticos.
Um resultado “normal” em um questionário não exclui apneia do sono — especialmente em pacientes com sintomas atípicos.
Quando procurar avaliação médica?
Você deve considerar procurar avaliação especializada se:
-
apresenta vários dos sintomas descritos acima
-
tem doenças cardiovasculares ou metabólicas associadas
-
ronca de forma persistente
-
sente que seu sono não é restaurador
-
já tentou “soluções” sem melhora real
👉 O diagnóstico correto evita anos de sintomas, tratamentos ineficazes e riscos desnecessários.
Quais são os principais fatores de risco da apneia do sono?
Obesidade, circunferência cervical aumentada, alteração anatômica, idade, sexo masculino, alterações hormonais, medicações, álcool etc.
A maioria que está lendo este guia já está bem-informada quanto aos principais fatores de risco da apneia do sono. O meu papel aqui, como especialista, vai um pouco além do que você vai encontrar em uma simples busca em um site de pesquisa ou IA. Na verdade, o papel deste guia é seguir de base para essas ferramentas de pesquisa, então vamos um além do óbvio.
Por que nem toda apneia é igual?
Durante muito tempo, a apneia do sono foi vista como uma doença única, explicada basicamente por excesso de peso e avaliada apenas por um número da polissonografia, o IAH (índice de apneia e hipopneia).
Hoje sabemos que isso é uma simplificação perigosa e cheira a naftalina... parou no tempo (para ser mais preciso na década de 90). Quem estuda e se atualiza sabe que a apneia do sono é mais complexa do que parece e tentar simplificá-la flerta com a irresponsabilidade.
Vou te dar um exemplo: Pacientes com o mesmo “grau” de apneia no exame de polissonografia podem ter:
-
sintomas completamente diferentes
-
riscos distintos para a saúde global
-
respostas muito variadas aos tratamentos
-
causas distintas
Isso acontece porque a apneia do sono é uma condição multifatorial, causada por diferentes mecanismos que tentamos enquadrar dentro de um grupo de 4 fenótipos da apneia do sono. Aqui preciso deixar uma observação importante: um mesmo paciente pode apresentar mais do que um fenótipo, a medicina não é estática e nem aritmética. Sim, é complexo, mas o papel deste guia é criar em você um nível de consciência para entender mais a fundo a doença e sair da superficialidade, seja como profissional da saúde ou como paciente. Como paciente é importante você entender a fundo o assunto para não menosprezar os sintomas, procurar um especialista no assunto e não cair em falsas promessas espalhadas pela internet e em consultórios de profissionais desqualificados.
Entender esses fenótipos é essencial para:
-
interpretar corretamente os exames
-
escolher o tratamento adequado – sem achismos ou receita mágica
-
evitar terapias que não funcionam – entender que ferramentas existem e devem ser direcionadas ao perfil do paciente levando em consideração seu fenótipo e apresentação clínica da doença.
1. Fatores anatômicos
(quando a estrutura da via aérea favorece o colapso)
Esse é o fator de risco mais conhecido.
Ele envolve características anatômicas que tornam a via aérea mais estreita ou mais propensa a colapsar durante o sono, como:
-
obesidade, com acúmulo de gordura ao redor da faringe
-
hipertrofia de amígdalas e adenoides
-
alterações craniofaciais e esqueléticas
-
alterações nasais que aumentam a resistência à passagem do ar
Nesses casos, durante o sono — especialmente com o relaxamento muscular — a via aérea tende a fechar com mais facilidade, levando às pausas respiratórias.
2. Fatores neuromusculares
(quando o problema está no controle muscular da via aérea)
Aqui, o principal problema não é o tamanho da via aérea, mas a capacidade dos músculos de mantê-la aberta durante o sono, principalmente o genioglosso (músculo que joga a língua pra frente, inervado pelo nervo hipoglosso).
Esse mecanismo é especialmente relevante em mulheres no período de peri‑menopausa e pacientes idosos. Na polissonografia observa-se frequentemente um aumento na densidade dos eventos obstrutivos durante o sono REM.
Durante o sono REM ocorre uma atonia muscular fisiológica — um “desligamento” parcial dos músculos.
Isso reduz o tônus dos músculos que mantêm a faringe aberta, favorecendo eventos obstrutivos, mesmo em pessoas sem grandes alterações anatômicas.
Por isso, alguns pacientes:
-
têm exames aparentemente “moderados”
-
mas sintomas intensos
-
e piora significativa durante o sono REM
Aqui é importante avaliar e diferenciar o índice de eventos e a saturação em REM e não REM.
3. Instabilidade ventilatória (high loop gain)
(quando ohá instabilidade ventilatória a nível central – centro respiratório)
Em alguns pacientes, o problema principal está no controle da respiração pelo sistema nervoso central.
Nesses casos:
-
pequenas variações de oxigênio ou CO₂ geram respostas exageradas
-
o organismo alterna entre hiperventilação e hipoventilação
-
surgem ciclos repetidos de instabilidade respiratória
Isso favorece a ocorrência de apneias e hipopneias, obstrutivas e centrais.
Esses pacientes costumam apresentar:
-
grande variabilidade respiratória no sono
-
dificuldade de estabilização do padrão ventilatório
-
respostas inconsistentes a tratamentos únicos
Geralmente observado em pacientes mais graves, com apneia já estabelecida há um tempo e com outras comorbidades associadas.
4. Baixo limiar de despertar
(quando o sono é facilmente interrompido)
Algumas pessoas despertam com mínimos aumentos do esforço respiratório, são microdespertares que fragmentam o sono, porém não são percebidos pelo paciente.
Esse mecanismo funciona como uma via de mão dupla:
-
Por um lado, protege contra apneias longas e dessaturações profundas
-
Por outro, causa fragmentação intensa do sono
O resultado é:
-
redução do sono profundo e do sono REM
-
ativação repetida do sistema nervoso simpático durante a noite
-
sensação de sono leve, não reparador
Esses pacientes podem apresentar:
-
sonolência
-
muito cansaço
-
irritabilidade
-
alterações cognitivas
-
mesmo com um IAH relativamente baixo, sem grandes dessaturações.
👉 É por isso que, hoje, a gravidade da apneia não pode ser avaliada apenas pelo número de eventos no exame ou apenas pelo índice de dessaturação. Tem pacientes que a manifestação são os microdespertares excessivos.
Esse fenótipo é muito frequente em pacientes mais jovens, adultos saudáveis, muitas vezes não obesos e com quadro clínico desproporcional (muita sonolência, cansaço, sono não reparador etc). Uma queixa bastante recorrente nesses pacientes (porém não obrigatória) é a obstrução nasal.
Por que tudo isso importa na prática?
Porque a apneia do sono não é uma doença única, e sim um conjunto de mecanismos que podem se combinar de formas diferentes em cada pessoa.
É exatamente por isso que:
-
tratamentos “universais” falham
-
soluções milagrosas não funcionam
-
a avaliação precisa ser individualizada
👉 O tratamento eficaz começa quando o profissional entende quais fatores estão mais presentes em cada paciente e começa a montar o quebra cabeça.
Qual é o papel do nariz na apneia do sono?
Quando se fala em apneia do sono, muitas pessoas pensam apenas na garganta ou na língua.
O nariz, porém, tem um papel muito mais importante do que normalmente se imagina.
Do ponto de vista fisiológico, o nariz é responsável por mais de 50% da resistência total da via aérea.
Isso significa que qualquer obstrução nasal aumenta significativamente o esforço respiratório durante o sono.
O que acontece quando o nariz está obstruído?
Quando a passagem de ar pelo nariz é dificultada, ocorre uma sequência de eventos:
-
o organismo precisa fazer mais força para inspirar
-
esse esforço gera pressão negativa dentro da via aérea
-
quanto maior a pressão negativa, maior a tendência ao colapso da faringe
Ou seja:
👉 obstrução nasal não causa apneia sozinha,
👉 mas favorece o colapso da via aérea superior e agrava a doença.
A relação entre nariz, boca, língua e mandíbula
Quando o fluxo nasal é reduzido, o corpo tende a compensar com a respiração pela boca durante o sono.
Essa compensação desencadeia uma cadeia de alterações:
-
a boca se abre
-
a língua se desloca para trás e para baixo
-
a mandíbula rota inferior e posteriormente
O resultado é um aumento expressivo da resistência da faringe — estudos mostram que ela pode aumentar em até 2,5 vezes, elevando significativamente o risco de colapso da via aérea durante o sono.
O papel neurossensorial do nariz
Além da função mecânica, o nariz também exerce um papel neurossensorial fundamental.
A mucosa nasal contém mecanorreceptores e termorreceptores que detectam o fluxo de ar e enviam sinais contínuos ao tronco encefálico.
Esses sinais ajudam a ajustar, de forma reflexa, o tônus de músculos importantes da via aérea, como o genioglosso.
Em condições normais:
-
o fluxo nasal adequado estimula esses receptores
-
ocorre maior estabilidade da via aérea durante o sono
Quando há obstrução nasal:
-
o fluxo diminui
-
esse feedback sensorial é reduzido (um efeito semelhante a uma “anestesia nasal”)
-
ocorre menor ativação reflexa dos músculos dilatadores da faringe
-
aumenta a instabilidade ventilatória e o risco de colapso
O que muda com o tratamento ou cirurgia nasal?
Aqui é importante ser muito claro.
👉 O tratamento nasal, na maioria dos casos, não “cura” a apneia do sono.
Mas isso não significa que ele não seja importante — pelo contrário.
O que costuma melhorar
Diversos estudos mostram benefícios consistentes após o tratamento da obstrução nasal:
-
Redução da sonolência diurna (queda média de 3 a 4 pontos na escala de sonolência)
-
Melhora significativa do ronco em escalas subjetivas
-
Melhora robusta da sensação de obstrução nasal
-
Relatos consistentes de melhora da qualidade do sono
-
Melhora expressiva da adesão ao CPAP
-
cerca de 89% dos pacientes que não toleravam o CPAP passam a tolerá‑lo
-
-
Aumento do tempo médio de uso do CPAP
-
aproximadamente de 3 para 5,5 horas por noite
-
-
Redução da pressão necessária do CPAP
-
em média cerca de 2,5 cmH₂O
-
O que geralmente não muda
Por outro lado, alguns parâmetros costumam permanecer semelhantes:
-
O índice de apneia‑hipopneia (IAH) costuma reduzir pouco
-
A saturação mínima de oxigênio geralmente não se altera de forma significativa
-
A classificação da apneia (leve, moderada ou grave) raramente muda
👉 Isso reforça um ponto essencial:
o tratamento nasal é adjuvante, mas frequentemente decisivo para o sucesso global do tratamento.
Por que isso é tão importante no tratamento da apneia?
Porque muitos pacientes:
-
não conseguem usar CPAP por desconforto nasal
-
têm sintomas importantes apesar de tratamentos corretos
-
apresentam falha terapêutica por fatores não identificados
Ignorar o nariz significa tratar a apneia de forma incompleta.
Por isso, a avaliação anatômica detalhada da via aérea — especialmente nasal e faríngea — é parte essencial de uma abordagem moderna e individualizada da apneia do sono.
Como diagnosticar corretamente a apneia do sono?
Desconfiar da apneia do sono é o primeiro passo.
Confirmar o diagnóstico da forma correta é o que realmente muda o desfecho do tratamento.
Hoje existem diferentes tipos de exames para avaliação do sono, e cada um tem indicações, vantagens e limitações. Entender essas diferenças evita diagnósticos incompletos e tratamentos inadequados.
Polissonografia: o exame do sono
A polissonografia tipo 1 é o exame mais completo para diagnosticar a apneia do sono (ela é o que chamamos de padrão ouro).
Ela avalia simultaneamente:
-
atividade cerebral (sono e despertares)
-
respiração
-
esforço respiratório
-
oxigenação do sangue
-
posição corporal
-
frequência cardíaca e eletrocardiograma
-
movimentos/ ativações musculares (musculatura mastigatória; membros)
É esse conjunto de informações que permite:
-
confirmar a presença de apneia do sono e seu tipo
-
identificar o tipo de evento respiratório (obstrutivo, central ou misto)
-
avaliar a fragmentação do sono
-
correlacionar eventos à posição corporal e fases do sono
-
diagnosticar distúrbios do movimento (bruxismo; movimento de pernas)
-
identificar anomalias cardíacas (arritmias, extrassístoles etc)
Veremos abaixo que existem outros tipos de polissonografia além da tipo 1, como por exemplo a tipo 2 - que se assemelha a “tipo 1” - e também as “tipo 3 e 4” que são mais resumidas e devem ser indicadas com um maior critério clínico.
Entenda a seguir as principais diferenças e quando optamos por cada uma.
Polissonografia tipo 1 – laboratorial
A polissonografia tipo 1 é realizada em laboratório do sono, com supervisão técnica durante toda a noite.
Ela é considerada o padrão‑ouro, especialmente quando:
-
há suspeita de casos mais complexos
-
existem doenças associadas
-
é necessário avaliar com precisão a arquitetura do sono
-
há falhas terapêuticas prévias
Esse exame permite a análise mais detalhada possível do sono e da respiração.
Polissonografia tipo 2 – domiciliar completa
A polissonografia tipo 2 registra praticamente os mesmos sinais da polissonografia laboratorial, porém é realizada no ambiente domiciliar, sem supervisão direta.
Ela pode ser uma excelente alternativa quando:
-
está disponível
-
o paciente se adapta melhor ao exame em casa
-
não há necessidade de monitorização presencial
Do ponto de vista técnico, quando bem indicada, pode oferecer informações equivalentes às da polissonografia tipo 1.
Muito se discute na medicina do sono quanto a terminologia dos exames tipo 3 e 4. Muitos defendem que não é correto nomear Polissonografia, uma vez que ambas não avaliam o sono por não conter o registro da atividade cerebral (EEG). Para fins didáticos e evitar confusão, continuaremos nomeando de Polissonografia os exames a seguir, porém com aspas: “Polissonografia”.
“Polissonografia” tipo 3 – quando não há EEG
A “polissonografia” tipo 3, também domiciliar, não registra a atividade cerebral (EEG), mas avalia:
-
fluxo respiratório
-
esforço respiratório
-
oxigenação do sangue (saturação de oxigênio)
-
frequência cardíaca
Ela pode ser útil em situações específicas, como:
-
pacientes com alta suspeita clínica de apneia
-
locais sem acesso à polissonografia completa
-
limitações de custo ou logística
No entanto, é importante saber que:
-
ela não avalia despertares
-
não define estágios do sono
-
pode subestimar a gravidade em alguns casos
Por isso, seu uso deve ser criterioso.
“Polissonografia” tipo 4 – oximetria de alta resolução
A oximetria de alta resolução, também domiciliar, avalia a saturação de oxigênio ao longo da noite.
Ela pode ser útil como:
-
exame de triagem
-
ferramenta complementar na investigação da apneia do sono
-
avaliação da saturação de oxigênio em pacientes em uso de CPAP, oxigenioterapia ou outros tratamentos para apneia e/ou hipoventilação.
Alguns dispositivos mais modernos utilizam algoritmos próprios para:
-
estimar tempo de sono
-
calcular a carga hipóxica, um parâmetro importante na avaliação do risco cardiovascular
Limitações importantes
Apesar dos avanços, a tipo 4 apresenta limitações relevantes:
-
não diferencia os tipos de apneia (central, obstrutiva, mista)
-
não avalia esforço respiratório
-
não permite análise da posição corporal
-
não correlaciona eventos respiratórios com despertares ou fases do sono
👉 Sozinha, pode muitas vezes não fechar o diagnóstico de apneia do sono, principalmente em quadros leves.
Um ponto de atenção
Infelizmente, o que temos observado é o uso da tipo 4 sem critério clínico, muitas vezes motivado por conveniência ou baixo custo, sendo apresentada como um exame “completo” ou “revolucionário”.
Isso é tecnicamente incorreto e pode levar a:
-
subdiagnóstico
-
falsa segurança
-
atraso no diagnóstico e tratamento adequado
Lembre-se: o diagnóstico correto não é fazer o exame mais simples, e sim o exame certo para cada paciente e para cada situação clínica.
Diagnóstico não é só o exame
Um ponto fundamental:
👉 nenhum exame deve ser interpretado isoladamente.
A avaliação correta envolve:
-
história clínica detalhada
-
análise dos sintomas
-
exame físico
-
avaliação anatômica da via aérea
-
interpretação cuidadosa da polissonografia
É a combinação desses fatores que permite:
-
entender por que a apneia acontece naquele paciente
-
isolar fatores de risco
-
estimar riscos reais envolvidos
-
direcionar o tratamento mais adequado
IMPORTANTE!
Cada exame do sono deve ser indicado e interpretado à luz de uma suspeita clínica bem definida.
Exames diferentes (como polissonografia tipo 1, tipo 2, tipo 3 ou tipo 4) não são diretamente comparáveis entre si e devem ser escolhidos de acordo com a pergunta clínica que se deseja responder.
Em casos de divergência entre o resultado do exame e a hipótese diagnóstica, pode ser necessário reavaliar a indicação ou até repetir o exame, uma vez que a polissonografia reflete uma única noite de sono e sabemos que existe variabilidade do distúrbio respiratório entre noites, além da possibilidade de falhas técnicas. (Lembre que existe apneia posicional e REM dependente e isso pode variar muito a presença de eventos respiratórios entre uma noite de sono e outra).
Por isso, é fundamental que o médico tenha domínio da indicação, da limitação e da interpretação dos exames, integrando sempre os achados ao quadro clínico do paciente.
Como tratar a apneia do sono?
Vamos “começar pelo começo” e entender de uma vez por todas:
Por que NÃO EXISTE um tratamento universal.
Depois do diagnóstico, a pergunta mais comum é:
“Qual é o melhor tratamento para apneia do sono?”
A resposta correta é:
👉 depende do paciente.
A apneia do sono não é uma doença única. Como vimos, ela pode envolver fatores anatômicos, neuromusculares, ventilatórios e comportamentais — muitas vezes combinados.
Por isso, o tratamento eficaz não é padronizado, e sim individualizado.
Mais para frente vamos falar das bugigangas da internet e falsas promessa, mas antes vamos falar do que realmente importa?
CPAP (pressão positiva contínua)
O CPAP é considerado o tratamento mais eficaz para a apneia obstrutiva do sono e o “padrão ouro” em casos moderados a graves.
Ele funciona mantendo a via aérea aberta por meio de um fluxo contínuo de pressão positiva durante o sono, evitando o colapso da faringe (é semelhante ao efeito de “assoprar para encher uma bexiga ou para desobstruir um canudo”).
É especialmente indicado quando:
-
a apneia é moderada ou grave
-
há risco cardiovascular elevado
-
pacientes acamados ou com alguma condição específica que contraindique a utilização de outras terapias.
-
outros tratamentos isolados não são suficientes
Um ponto importante:
👉 a eficácia do CPAP depende diretamente da adesão.
Fatores como obstrução nasal, desconforto, estigma e adaptação inadequada podem comprometer o uso — e precisam ser corrigidos.
Observação: Em alguns casos pode ser indicado o BiPAP (Binível), principalmente quando a pressão de tratamento com o CPAP for muito alta ou quando o paciente possui alguma condição que exige a terapia com Binível, como no caso da hipoventilação.
Aparelho intraoral (AIO)
Os aparelhos intraorais de avanço mandibular são dispositivos odontológicos que atuam avançando a mandíbula para frente durante o sono, ajudando a manter a via aérea aberta. Ele deve ser utilizado após prévia avaliação de um dentista do sono capacitado na avaliação, indicação, confecção e acompanhamento do paciente com apneia do sono. Em hipótese alguma deve ser utilizado sem prévia avaliação de um dentista devido a seus possíveis efeitos colaterais (deslocamento dentário, distúrbios articulares, dor orofacial). Ou seja, aparelhos comprados remotamente pela internet ou pré moldados por profissionais não especialistas são altamente CONTRAINDICADOS para uso contínuo.
Os AIO podem ser indicados:
-
em casos leves a moderados
-
em pacientes que não toleram o CPAP
-
em pacientes com bom avanço mandibular
-
em pacientes sem alterações articulares graves
-
em pacientes com número de dentes e distribuição suficiente para apoio do aparelho.
-
Em associação a outras terapias de forma complementar
A indicação deve ser feita sempre com critério, pois nem todo paciente se beneficia desse tipo de dispositivo.
Cirurgias da via aérea superior
As cirurgias não são a “cura universal” da apneia, mas podem ter papel importante e em casos específicos ser curativos.
Elas podem atuar em:
-
nariz
-
faringe
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estruturas esqueléticas
O objetivo pode ser:
-
reduzir obstruções anatômicas
-
melhorar sintomas
-
facilitar o uso de outros tratamentos, como o CPAP
A decisão cirúrgica exige:
-
avaliação anatômica detalhada
-
expectativa realista de resultados
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integração com outras terapias
Alguns procedimentos cirúrgicos relacionados ao tratamento da apneia do sono são:
-
Amigdalectomia/ adenoamigdalectomia
-
Faringoplastia (antiga uvulopalatofaringoplastia)
-
Técnicas palatais (ex: Suspenção palatal)
-
Septoplastia/ septoturbinectomia
-
Cirurgias ortognáticas
Laser Fotona – Erbium-Yag em modo não ablativo
O laser Fotona em modo não ablativo atua promovendo tensionamento e remodelação dos tecidos do palato mole. Deve ser realizado após avaliação criteriosa, de preferência por um otorrinolaringologista capacitado na utilização do Laser. O otorrino é o especialista que mais domina a anatomia cirúrgica da via aérea superior sendo fundamental essa expertise para a indicação e aplicação correta da técnica.
Pode ser considerado o tratamento com Laser não ablativo:
-
em casos selecionados onde o foco é a região do palato mole/ velofaringe (como na flacidez palatal/ ronco palatal)
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como tratamento complementar a outras terapias.
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para tratamento do ronco primário (sem apneia)
👉 Assim como outras abordagens, não substitui avaliação adequada, não é indicado para todos os pacientes e deve ser realizado por profissional extremamente qualificado, de preferência um otorrinolaringologista.
Observação: se o procedimento for indicado sem avaliação prévia e indicação precisa desconfie e procure uma segunda opinião.
Fonoterapia
A fonoterapia trabalha o fortalecimento e a coordenação da musculatura oromiofacial e deve ser realizada por fonoaudióloga especializada no tratamento dos distúrbios do sono. Exercícios realizados sem avaliação e individualização por um profissional especializado devem ser evitados.
Pode ser útil:
-
como tratamento adjuvante
-
em casos leves
-
associada a outras terapias
Os resultados dependem:
-
do perfil do paciente
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da adesão
-
da correta indicação
Medidas comportamentais e hábitos de vida
Algumas mudanças são fundamentais e potencializam qualquer tratamento:
-
perda de peso (quando indicada)
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redução ou suspensão do consumo de álcool à noite
-
revisão de medicamentos que pioram a apneia
-
regularização dos horários de sono
Essas medidas, com exceção da perda de peso, raramente resolvem a apneia sozinhas, mas fazem grande diferença no resultado final.
A Obesidade continua sendo o principal fator de risco da apneia do sono, porém a relação é uma via de mão dupla, assim como pacientes obesos tem um risco aumentado para apneia, pacientes apneicos tendem a ter predisposição a ganho de peso. A chave aqui muitas vezes é o tratamento simultâneo de ambas as condições e acompanhamento criterioso dos resultados clínicos.
Terapia posicional e ergonomia do sono
Em alguns pacientes, a apneia piora:
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em posição dorsal
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com flexão cervical excessiva
Nesses casos, ajustes na posição de dormir e na ergonomia do sono podem:
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reduzir eventos
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melhorar sintomas
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complementar outros tratamentos
Ou seja, a escolha do colchão e travesseiro pode muitas vezes ser um pilar importante no tratamento.
Como saber se o tratamento indicado é o certo para você?
Um ponto fundamental.
👉 Desconfie se:
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apenas um tratamento foi apresentado como solução
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não houve discussão de alternativas
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o tratamento indicado é exatamente o único que o profissional oferece
👉 Confie mais quando:
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todas as opções foram explicadas
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riscos e benefícios foram discutidos
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a decisão foi tomada em conjunto
O melhor tratamento é aquele que:
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faz sentido para o seu perfil
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é sustentável no longo prazo
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e foi escolhido com base em avaliação completa
Agora que você conhece as principais opções de tratamento, o próximo passo do guia responde a duas perguntas muito comuns:
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Como desconfiar de tratamentos “milagrosos” da internet?
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Como evitar decisões erradas no cuidado da apneia do sono?
Tratamentos “milagrosos” para apneia do sono: quando desconfiar?
Com o aumento do acesso à informação, também cresceram as promessas simplistas para tratar a apneia do sono.
Infelizmente, muitas delas não se sustentam do ponto de vista científico.
Entender como desconfiar é parte fundamental do cuidado.
Desconfie quando o tratamento:
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é apresentado como cura definitiva para todos os casos
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dispensa investigação adequada ou exame do sono
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ignora completamente o CPAP, aparelhos intraorais e outras opções reconhecidas
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promete resultados rápidos sem explicar limites
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é indicado antes mesmo de um diagnóstico claro
A apneia do sono é uma condição heterogênea.
Soluções universais raramente funcionam.
Um sinal de alerta importante
Um ponto que merece atenção especial:
👉 Se o profissional indica apenas o tratamento que ele próprio realiza ou comercializa, sem discutir alternativas, é preciso cautela.
Isso não significa que o tratamento seja necessariamente inadequado — mas sim que:
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a decisão pode não ter sido totalmente individualizada
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outras opções relevantes podem não ter sido consideradas
O que caracteriza uma boa indicação de tratamento?
Em geral, você está diante de uma abordagem mais confiável quando:
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o diagnóstico foi bem explicado
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diferentes opções de tratamento foram discutidas
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riscos e benefícios de cada alternativa foram apresentados
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a decisão foi tomada em conjunto, e não imposta
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ficou claro que o tratamento pode ser ajustado ao longo do tempo
A apneia do sono raramente é tratada com um único passo.
Na maioria dos casos, o cuidado é progressivo e adaptativo.
Internet ajuda, mas não substitui avaliação médica
Informação de qualidade pode ajudar o paciente a:
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reconhecer sintomas
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buscar ajuda
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entender opções
Mas a internet não substitui:
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avaliação clínica
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exame físico
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interpretação adequada dos exames
👉 Tratamentos escolhidos sem esse contexto têm maior chance de falhar.
Qual profissional procurar para o diagnóstico e tratamento da apneia do sono?
Essa é uma das dúvidas mais comuns — e também uma das mais importantes.
A apneia do sono é uma condição complexa e multifatorial, que envolve sono, respiração, anatomia da via aérea, controle neurológico e impacto cardiovascular. Por isso, não deve ser conduzida de forma simplificada ou isolada.
Médico do sono ou especialidade com formação em apneia do sono
O ideal é que o paciente seja avaliado por um médico com formação e experiência em medicina do sono, ou por um especialista que tenha a apneia do sono como área de atuação consistente.
Diversas especialidades podem atuar no cuidado da apneia, como:
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otorrinolaringologia
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pneumologia
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neurologia
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cardiologia
O ponto central não é apenas a especialidade, mas sim:
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conhecimento aprofundado da apneia do sono
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capacidade de interpretar exames corretamente
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entendimento dos diferentes mecanismos da doença
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domínio das opções de tratamento
O papel do otorrinolaringologista na apneia do sono
O otorrinolaringologista tem um papel particularmente importante na avaliação da apneia do sono, pois é o especialista com maior capacidade de avaliar a anatomia da via aérea superior.
Isso inclui:
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nariz
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cavidade oral
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faringe
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estruturas esqueléticas
Além do exame clínico, o otorrino pode lançar mão de exames fundamentais, como:
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nasofibrolaringoscopia
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tomografia da face
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e, em casos selecionados, a sonoendoscopia, que permite avaliar o padrão de colapso da via aérea durante o sono induzido
Essas informações são essenciais para:
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compreender o mecanismo predominante da apneia
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indicar ou contraindicar cirurgias
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definir estratégias complementares ao CPAP ou ao aparelho intraoral
Quando desconfiar da condução profissional
Alguns sinais merecem atenção:
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diagnóstico feito sem correlação clínica
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interpretação do exame de forma isolada
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indicação imediata de um único tratamento, sem discutir alternativas
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ausência de explicação sobre riscos, limites e necessidade de acompanhamento
A apneia do sono raramente se resolve com uma decisão única.
Ela exige acompanhamento, ajustes e, muitas vezes, combinação de abordagens.
O que caracteriza uma boa condução da apneia do sono?
De forma geral, você está diante de uma condução adequada quando:
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o diagnóstico foi explicado com clareza
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os exames foram indicados de forma personalizada
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diferentes opções de tratamento foram discutidas
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a decisão foi tomada em conjunto
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ficou claro que o plano pode evoluir ao longo do tempo
👉 O melhor profissional não é aquele que “vende” uma solução, mas aquele que constrói um caminho com o paciente.
Conclusão do guia
A apneia do sono é uma condição comum, subdiagnosticada e potencialmente grave — mas tratável quando bem conduzida.
Entender:
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o que é a doença
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quais são seus riscos
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como diagnosticar corretamente
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e como escolher o tratamento adequado
é o primeiro passo para recuperar qualidade de vida, saúde cardiovascular e bem‑estar através de um sono saudável.
Cada paciente é único.
A avaliação correta é fundamental para o diagnóstico preciso e para definir o melhor caminho de tratamento.
Não busque soluções mágicas, desconfie de promessas e procure sempre um especialista