Menopausa e sono: por que tantas mulheres começam a dormir pior nessa fase?
- Guilherme William Brassanini
- há 2 dias
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Muitas mulheres chegam à menopausa esperando lidar com os fogachos, as alterações hormonais e algumas mudanças no corpo. O que nem sempre esperam é que o sono também mude.
Acordar várias vezes durante a noite, demorar para pegar no sono, sentir calor repentino durante a madrugada ou simplesmente acordar cansada mesmo após horas na cama são queixas extremamente comuns nessa fase da vida.
E não, isso não significa que dormir mal seja algo que você precisa aceitar como normal.
A menopausa traz mudanças importantes para o organismo, e muitas delas impactam diretamente a qualidade do sono.
O que acontece com o sono durante a menopausa?
A menopausa é marcada pela redução dos níveis de estrogênio e progesterona, hormônios que exercem influência sobre diversos sistemas do corpo, incluindo o sono.
Essas alterações hormonais podem afetar tanto a capacidade de iniciar o sono quanto a sua manutenção ao longo da noite.
Por isso, muitas mulheres relatam que antes dormiam sem dificuldades e, de repente, começam a enfrentar noites fragmentadas e menos restauradoras.
Além disso, o sono passa a ser influenciado por outros sintomas comuns dessa fase, criando um ciclo que pode se tornar bastante desgastante.
Fogachos e despertares noturnos
Um dos sintomas mais conhecidos da menopausa são os fogachos, também chamados de ondas de calor. Eles podem surgir durante o dia, mas frequentemente acontecem durante a noite.
Quando isso ocorre, a mulher pode despertar sentindo calor intenso, suor excessivo e desconforto, interrompendo o ciclo natural do sono.
Mesmo quando consegue voltar a dormir rapidamente, esses despertares fragmentam o descanso e reduzem o tempo passado nas fases mais profundas e restauradoras do sono.
O resultado costuma aparecer no dia seguinte: cansaço, dificuldade de concentração, irritabilidade e sensação de pouca energia.
Menopausa também aumenta o risco de apneia do sono
Esse é um ponto que muitas mulheres desconhecem.
Após a menopausa, o risco de desenvolver apneia obstrutiva do sono aumenta significativamente.
Isso acontece por uma combinação de fatores, incluindo alterações hormonais, mudanças na distribuição de gordura corporal e modificações na musculatura das vias aéreas.
Muitas vezes, a mulher nunca apresentou ronco importante ao longo da vida e passa a desenvolver sintomas justamente nessa fase.
Alguns sinais que merecem atenção incluem:
Ronco frequente
Sono não reparador
Sonolência durante o dia
Despertares frequentes
Dor de cabeça ao acordar
Sensação constante de cansaço
Em alguns casos, o problema não é apenas a menopausa em si, mas um distúrbio do sono que surge ou se torna mais evidente nesse período.
O impacto emocional também influencia
As mudanças hormonais da menopausa podem afetar o humor, aumentar a ansiedade e favorecer sintomas depressivos em algumas mulheres.
E quando a mente não desacelera, o sono também sofre.
Preocupações, pensamentos acelerados e sensação de alerta constante dificultam o início do sono e aumentam a chance de despertares ao longo da noite.
Por isso, o sono na menopausa costuma ser resultado da interação entre fatores hormonais, físicos e emocionais.
O que pode ajudar?
Existem estratégias que podem melhorar significativamente a qualidade do sono durante essa fase.
Manter horários regulares para dormir e acordar, reduzir o consumo de cafeína no fim do dia, evitar ambientes muito quentes durante a noite e cuidar da higiene do sono são medidas importantes.
Além disso, quando os sintomas são persistentes ou impactam a qualidade de vida, é fundamental buscar avaliação especializada.
Em alguns casos, pode ser necessário investigar a presença de apneia do sono, insônia ou outros distúrbios que estejam contribuindo para o problema.
Conclusão
Dormir pior durante a menopausa é uma queixa comum, mas não deve ser encarada como algo que simplesmente precisa ser suportado.
Alterações hormonais, fogachos, mudanças emocionais e até distúrbios respiratórios do sono podem estar por trás das noites mal dormidas.
A boa notícia é que existem formas de investigar e tratar essas alterações, permitindo que a mulher recupere qualidade de vida e bem-estar.
Eu sou o Dr. Guilherme Brassanini, otorrinolaringologista especialista em sono, e ajudo você a entender os fatores que impactam seu sono para que possa voltar a dormir melhor e com mais qualidade.



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