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Suspeita de apneia do sono? Entenda quais exames existem

há 4 dias
4 min de leitura

“Eu ronco muito. Será que tenho apneia do sono?”

Essa é uma dúvida bastante comum, principalmente entre pessoas que roncam, acordam cansadas ou recebem de alguém próximo o relato de que param de respirar durante a noite.

A apneia obstrutiva do sono acontece quando a via aérea superior sofre episódios repetidos de obstrução durante o sono, provocando pausas ou redução do fluxo de ar. Essas alterações podem fragmentar o sono e causar quedas na oxigenação, mesmo que a pessoa não acorde completamente.

Mas como saber se alguém realmente tem apneia?

A avaliação começa pela história clínica e pelos sintomas. Depois disso, o médico pode indicar um exame do sono para confirmar o diagnóstico, identificar a gravidade do problema e orientar o tratamento.

Polissonografia: o principal exame para investigar o sono

A polissonografia é um dos principais exames utilizados para diagnosticar a apneia do sono.

Durante o exame, o paciente dorme enquanto diferentes parâmetros são monitorados, como atividade cerebral, movimentos dos olhos, frequência cardíaca, esforço respiratório, fluxo de ar e oxigenação do sangue.

Dependendo do tipo de polissonografia, também podem ser avaliados movimentos das pernas e outras informações relacionadas à arquitetura do sono.

Isso permite identificar não apenas se existem eventos respiratórios durante a noite, mas também entender como eles estão interferindo no sono.

A polissonografia pode ser realizada em laboratório do sono ou, em situações selecionadas, em ambiente domiciliar com equipamentos apropriados.

Polissonografia domiciliar ou teste domiciliar do sono

Nem sempre é necessário passar a noite em um laboratório.

Em pacientes selecionados, o médico pode indicar um exame realizado em casa, conhecido como teste domiciliar para apneia do sono.

Ele utiliza sensores para registrar informações relacionadas à respiração e à oxigenação durante o sono. É uma alternativa mais simples e conveniente para alguns pacientes com suspeita de apneia obstrutiva do sono.

Mas existe uma diferença importante: o exame domiciliar não avalia todos os parâmetros de uma polissonografia completa.

Por isso, ele não é necessariamente a melhor opção para todas as pessoas.

A escolha depende da história clínica, dos sintomas, dos fatores de risco e da suspeita diagnóstica.

Oximetria noturna pode identificar apneia?

A oximetria noturna mede a saturação de oxigênio ao longo da noite e pode mostrar padrões de quedas de oxigenação que levantam suspeita de distúrbio respiratório do sono.

É um exame simples e pode ser útil em determinadas situações.

Porém, a oximetria isolada não consegue confirmar ou excluir a apneia do sono com a mesma capacidade de um estudo específico do sono. Uma pessoa pode apresentar apneia sem grandes alterações na saturação em determinados momentos, e outras condições também podem causar alterações na oxigenação.

Por isso, o resultado precisa ser interpretado dentro do contexto clínico.

E os aplicativos, relógios e outros dispositivos?

Hoje existem diversos relógios inteligentes, anéis e aplicativos que prometem acompanhar o sono e até identificar sinais compatíveis com apneia.

Essas tecnologias podem fornecer informações interessantes sobre padrões de sono, frequência cardíaca e, em alguns dispositivos, oxigenação.

Mas é importante entender a diferença entre monitorar o sono e diagnosticar uma doença.

Um dispositivo de uso pessoal pode levantar uma suspeita, mas não substitui automaticamente uma avaliação médica nem um exame diagnóstico adequado.

Se o relógio indicar alterações ou se você apresentar sintomas compatíveis com apneia, isso pode ser um motivo para procurar avaliação, e não para concluir sozinho que existe ou não existe a doença.

O exame não é escolhido apenas pelo sintoma

Um erro comum é pensar que existe um único exame obrigatório para todas as pessoas com suspeita de apneia.

Não é assim.

A escolha do exame depende do perfil do paciente.

Uma pessoa com ronco alto, pausas respiratórias observadas durante o sono, sonolência excessiva durante o dia e outros fatores de risco pode ter uma investigação diferente de alguém que apresenta insônia, movimentos anormais durante o sono ou suspeita de outro distúrbio.

A presença de outras doenças também pode influenciar essa decisão.

Por isso, antes de solicitar o exame, é importante entender o que está acontecendo com aquele paciente.

Como saber qual exame eu preciso?

O primeiro passo é uma avaliação médica.

O otorrinolaringologista ou médico especialista em sono pode investigar sintomas como:

  • Ronco frequente e intenso

  • Pausas na respiração observadas durante o sono

  • Engasgos ou sensação de sufocamento durante a noite

  • Sono não reparador

  • Cansaço ou sonolência durante o dia

  • Dor de cabeça ao acordar

  • Boca seca ao despertar

  • Despertares frequentes

  • Dificuldade de concentração

  • Pressão arterial difícil de controlar

A partir dessas informações e do exame clínico, o médico pode determinar se existe indicação para investigar apneia e qual estudo é mais adequado.

O que acontece depois do diagnóstico?

Identificar a apneia é apenas o primeiro passo.

Depois de confirmar o diagnóstico, é necessário entender sua gravidade, as características do paciente e os fatores que estão contribuindo para a obstrução da via aérea.

O tratamento pode envolver diferentes estratégias, dependendo do caso, como CPAP, aparelhos intraorais, perda de peso quando indicada, mudanças de hábitos, tratamento de alterações nasais ou procedimentos cirúrgicos em pacientes selecionados.

Não existe um tratamento único que sirva para todas as pessoas com apneia.

Por isso, um diagnóstico bem feito é tão importante: ele permite que o tratamento seja escolhido de acordo com as características de cada paciente.

Conclusão

A apneia do sono não deve ser diagnosticada apenas pelo ronco ou por uma informação isolada de um relógio ou aplicativo.

Existem diferentes exames capazes de investigar os distúrbios respiratórios do sono, e a escolha entre polissonografia, teste domiciliar e outros métodos depende das características de cada paciente.

Se você ronca frequentemente, apresenta pausas na respiração durante o sono, acorda cansado ou sente muito sono durante o dia, vale a pena investigar.

Quanto antes a apneia é identificada, mais cedo é possível entender o que está acontecendo e definir o tratamento mais adequado.

Eu sou o Dr. Guilherme William Brassanini, otorrinolaringologista e especialista em sono, e ajudo meus pacientes a investigar as causas do ronco, da apneia e de outros problemas que podem comprometer a qualidade do sono e da respiração.



 
 
 

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