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Apneia do sono: 3 exames essenciais para uma avaliação completa

23 de out.
5 min de leitura

Ronco frequente, pausas na respiração durante a noite, sensação de sufocamento e cansaço ao acordar. Esses são alguns sinais que podem indicar apneia obstrutiva do sono.

Mas, quando existe suspeita da doença, não basta apenas identificar os sintomas. É importante compreender o que acontece durante o sono e investigar as estruturas anatômicas que podem estar dificultando a passagem do ar.

A avaliação da apneia envolve diferentes etapas. Enquanto um exame permite confirmar o diagnóstico e avaliar a gravidade do distúrbio, outros ajudam a identificar alterações no nariz, na faringe e em outras regiões da via aérea superior.

Entre os exames que podem fazer parte dessa investigação estão a polissonografia, a tomografia computadorizada dos seios da face com extensão da avaliação até a glote e a nasofibrolaringoscopia.

Cada um oferece informações diferentes e complementares, contribuindo para uma avaliação mais completa e para a escolha do tratamento adequado.

1. Polissonografia: o exame que identifica e avalia a gravidade da apneia

A polissonografia é o principal exame utilizado para diagnosticar a apneia obstrutiva do sono.

Realizada durante uma noite de sono, ela monitora diferentes parâmetros fisiológicos, permitindo identificar alterações respiratórias que acontecem enquanto o paciente dorme.

Entre as informações registradas estão:

  • Fluxo de ar pelo nariz e pela boca.

  • Movimentos respiratórios do tórax e do abdômen.

  • Saturação de oxigênio no sangue.

  • Frequência cardíaca.

  • Atividade cerebral e estágios do sono.

  • Despertares e fragmentação do sono.

Um dos principais indicadores analisados é o índice de apneia e hipopneia (IAH), que representa a quantidade de eventos respiratórios de apneia e hipopneia por hora de sono.

Esse resultado ajuda a determinar a gravidade da doença e a orientar a escolha do tratamento.

É importante entender que o ronco, isoladamente, não confirma apneia. Uma pessoa pode roncar sem apresentar pausas respiratórias significativas. Da mesma forma, nem sempre quem tem apneia percebe os episódios durante a noite.

A polissonografia permite sair da suspeita clínica e obter informações objetivas sobre o comportamento respiratório durante o sono.

2. Tomografia computadorizada dos seios da face com avaliação até a glote: investigando a anatomia da via aérea

A tomografia computadorizada é um exame de imagem que permite visualizar estruturas anatômicas com detalhes.

Na investigação de pacientes com apneia do sono, um protocolo que contempla os seios da face e se estende até a região da glote pode fornecer informações sobre diferentes segmentos da via aérea superior.

Essa avaliação permite observar alterações como:

  • Desvio do septo nasal.

  • Aumento dos cornetos (conchas nasais).

  • Alterações nos seios paranasais.

  • Redução dos espaços de passagem do ar.

  • Características anatômicas da nasofaringe e da orofaringe.

  • Alterações na região da base da língua e da hipofaringe.

  • Características estruturais da região laríngea.

Essas informações ajudam a identificar alterações que podem contribuir para a dificuldade respiratória e auxiliam no planejamento terapêutico, principalmente quando existe a possibilidade de uma abordagem cirúrgica.

Mas existe uma observação importante: a tomografia mostra a anatomia em determinado momento, geralmente com o paciente acordado e deitado durante a aquisição das imagens. Ela não reproduz, por si só, o comportamento dinâmico da via aérea durante o sono.

Isso significa que uma região aparentemente estreita na imagem não confirma necessariamente que aquele seja o principal ponto de colapso responsável pela apneia.

Por isso, os achados precisam ser interpretados em conjunto com os sintomas, o exame físico e os demais exames da investigação.

3. Nasofibrolaringoscopia: visualizando diretamente as estruturas da via aérea

A nasofibrolaringoscopia é um exame realizado com um aparelho fino e flexível, equipado com uma câmera, que permite visualizar diretamente diferentes regiões das vias aéreas superiores.

O aparelho é introduzido delicadamente pelo nariz e permite examinar estruturas que participam da respiração.

Durante o procedimento, o médico pode avaliar:

  • Cavidade nasal e possíveis obstruções.

  • Septo nasal e cornetos.

  • Região da nasofaringe.

  • Palato mole e paredes da faringe.

  • Base da língua, quando acessível à visualização.

  • Epiglote e estruturas da laringe.

  • Região da glote.

Uma das vantagens desse exame é permitir a observação direta das estruturas, identificando alterações que podem não ser suficientemente esclarecidas apenas pela avaliação externa.

A nasofibrolaringoscopia pode ajudar a identificar desvios anatômicos, aumento de tecidos, alterações da mucosa e outras condições que interferem na passagem do ar.

Também é um recurso importante para avaliar a anatomia antes de determinados procedimentos e auxiliar no planejamento de tratamentos individualizados.

Entretanto, assim como a tomografia convencional, o exame realizado com o paciente acordado não reproduz completamente o que acontece durante o sono, quando existe redução natural do tônus muscular e a via aérea pode apresentar colapsos.

Em situações específicas, outros métodos, como a endoscopia do sono induzido por medicamentos (DISE), podem ser considerados para investigar o comportamento da via aérea durante uma condição semelhante ao sono.

Por que esses três exames são complementares?

Cada exame responde a uma pergunta diferente.

A polissonografia permite entender se existe apneia, quantificar os eventos respiratórios e avaliar o impacto deles durante o sono.

A tomografia computadorizada fornece uma visão anatômica mais ampla, permitindo identificar alterações estruturais ao longo da via aérea.

Já a nasofibrolaringoscopia possibilita visualizar diretamente as estruturas, complementando a avaliação anatômica e funcional realizada no consultório.

Quando indicados em conjunto, esses exames oferecem informações que ajudam o médico a compreender melhor o quadro do paciente.

Essa diferenciação é especialmente importante quando existe a possibilidade de tratamento cirúrgico. Antes de propor qualquer procedimento, é necessário entender não apenas a gravidade da apneia, mas também quais estruturas podem estar contribuindo para a obstrução.

Os exames definem qual é o melhor tratamento para a apneia?

Eles ajudam a orientar essa decisão, mas nenhum exame deve ser interpretado isoladamente.

O tratamento depende de uma análise que considera a gravidade da apneia, as características anatômicas, os sintomas, as condições clínicas e as necessidades individuais do paciente.

Em alguns casos, o CPAP, considerado tratamento de referência para muitas pessoas com apneia obstrutiva, é a opção mais adequada.

Em outros, podem ser considerados aparelhos intraorais, medidas relacionadas ao peso e aos hábitos de vida ou procedimentos cirúrgicos direcionados a alterações anatômicas específicas.

A avaliação também permite identificar situações em que uma alteração nasal, por exemplo, pode dificultar a adaptação ao CPAP e precisa ser tratada.

O objetivo não é solicitar exames indiscriminadamente, mas escolher aqueles que realmente acrescentam informações importantes para a investigação e o planejamento terapêutico.

Conclusão

A investigação da apneia do sono precisa ir além da identificação do ronco e de outros sintomas.

A polissonografia, a tomografia computadorizada com avaliação da via aérea até a glote e a nasofibrolaringoscopia oferecem informações diferentes que podem se complementar na avaliação do paciente.

Enquanto a polissonografia identifica e quantifica os eventos respiratórios durante o sono, os exames de imagem e a visualização endoscópica ajudam a investigar as alterações anatômicas que podem estar envolvidas na obstrução.

Tratar a apneia exige entender tanto o que acontece durante o sono quanto as características da via aérea de cada paciente.

É a partir dessa avaliação individualizada que podemos definir uma estratégia terapêutica mais adequada, com critério e segurança.

Eu sou o Dr. Guilherme William Brassanini, otorrinolaringologista e especialista em sono, e ajudo meus pacientes a investigar as causas do ronco, da apneia e de outros problemas respiratórios para encontrar o tratamento mais adequado para cada caso.


 
 
 

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