top of page

Sono em pessoas com TDAH e TEA: por que dormir pode ser mais difícil?

Dormir bem nem sempre é uma tarefa simples. Mas para muitas pessoas com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) ou Transtorno do Espectro Autista (TEA), os desafios relacionados ao sono podem ser ainda maiores.

Dificuldade para adormecer, despertares frequentes, sono irregular, sensação de cansaço ao longo do dia e uma rotina de sono desorganizada são queixas comuns entre crianças, adolescentes e adultos neurodivergentes.

Embora cada pessoa tenha características únicas, a ciência mostra que alterações do sono são significativamente mais frequentes em indivíduos com TDAH e TEA quando comparados à população geral.

E compreender essa relação é fundamental para melhorar não apenas o sono, mas também a qualidade de vida.

Qual a relação entre neurodivergência e sono?

O sono é regulado por uma combinação complexa de fatores neurológicos, hormonais, comportamentais e ambientais.

Em pessoas com TDAH e TEA, algumas dessas vias podem funcionar de maneira diferente, influenciando diretamente o padrão de sono.

Isso não significa que toda pessoa neurodivergente terá problemas para dormir, mas a probabilidade de dificuldades relacionadas ao sono é maior.

Além disso, o próprio sono inadequado pode intensificar sintomas já presentes durante o dia, criando um ciclo difícil de interromper.

Sono e TDAH: quando a mente não desacelera

Uma das características frequentemente relatadas por pessoas com TDAH é a dificuldade em "desligar a mente" no final do dia.

Pensamentos acelerados, dificuldade para interromper atividades estimulantes e alterações na percepção do tempo podem atrasar o horário de dormir.

Muitos pacientes descrevem a sensação de estarem cansados fisicamente, mas mentalmente ativos quando chega a hora de dormir.

Além disso, pesquisas mostram que pessoas com TDAH apresentam maior prevalência de:

  • Insônia

  • Atraso de fase do sono

  • Sono irregular

  • Sonolência diurna

  • Síndrome das pernas inquietas

Quando o sono não é adequado, sintomas como desatenção, impulsividade e dificuldade de organização podem se tornar ainda mais intensos.

Sono e TEA: mais do que dificuldade para dormir

No caso do TEA, as alterações do sono também são bastante frequentes.

Fatores como hipersensibilidade sensorial, necessidade de previsibilidade na rotina, ansiedade e diferenças na produção de melatonina podem influenciar diretamente a qualidade do sono.


Entre as dificuldades mais comuns estão:

  • Resistência para dormir

  • Demora para adormecer

  • Despertares frequentes

  • Sono fragmentado

  • Acordar muito cedo


Em algumas famílias, o impacto dessas alterações se estende para todos os moradores da casa, especialmente quando falamos de crianças.

Por isso, o sono costuma ser um dos temas mais discutidos durante o acompanhamento multiprofissional de pessoas com TEA.


Nem sempre o problema é apenas comportamental

Existe uma tendência de atribuir qualquer dificuldade de sono exclusivamente ao TDAH ou ao TEA. Mas isso nem sempre é verdade.

Pessoas neurodivergentes também podem apresentar distúrbios do sono comuns na população geral, incluindo:

  • Insônia

  • Bruxismo

  • Distúrbios respiratórios do sono

  • apneia obstrutiva do sono

Por isso, quando as dificuldades de sono são persistentes, é importante realizar uma avaliação adequada para identificar o que realmente está acontecendo.

O que pode ajudar?

O tratamento depende das características individuais de cada pessoa.

Mas algumas estratégias costumam ser úteis:

  • Manter horários regulares para dormir e acordar

  • Criar rotinas previsíveis no período noturno

  • Reduzir exposição a telas próximo ao horário de dormir

  • Adaptar o ambiente às necessidades sensoriais

  • Investigar possíveis distúrbios do sono associados

  • Buscar acompanhamento especializado quando necessário

Em muitos casos, pequenas mudanças já podem trazer benefícios importantes.


Conclusão

O sono desempenha um papel fundamental na atenção, aprendizado, comportamento, humor e qualidade de vida.

Por isso, dificuldades para dormir em pessoas com TDAH e TEA não devem ser vistas apenas como um detalhe ou uma característica inevitável.

Quando investigadas e tratadas adequadamente, elas podem melhorar significativamente o bem-estar do paciente e de toda a família.

Eu sou o Dr. Guilherme Brassanini, otorrinolaringologista especialista em sono, e ajudo pacientes a entender os fatores que impactam o sono para que possam viver com mais disposição, saúde e qualidade de vida.



 
 
 

Comentários


bottom of page