Idosos dormem menos? Entenda o que muda no sono com o envelhecimento
- Guilherme William Brassanini
- há 1 dia
- 3 min de leitura

É comum ouvir frases como "depois de uma certa idade ninguém dorme direito" ou "idoso precisa de poucas horas de sono".
Mas será que isso é verdade?
Com o envelhecimento, o sono realmente passa por algumas mudanças naturais. No entanto, isso não significa que dormir mal faça parte do processo normal de envelhecer.
Muitos idosos convivem durante anos com noites mal dormidas, despertares frequentes e sonolência durante o dia acreditando que não existe solução. Em diversos casos, porém, essas alterações podem estar relacionadas a distúrbios do sono que têm tratamento.
Entender a diferença entre o que é esperado e o que merece investigação é o primeiro passo para envelhecer com mais saúde e qualidade de vida.
O sono muda com a idade?
Sim. À medida que envelhecemos, algumas características do sono sofrem alterações.
É comum que o idoso apresente um sono mais leve, acorde mais facilmente durante a noite e tenha maior tendência a dormir e acordar mais cedo.
Além disso, ocorre uma redução do tempo passado nas fases mais profundas do sono, responsáveis por grande parte da recuperação física do organismo.
Essas mudanças fazem parte do envelhecimento natural e não representam, necessariamente, uma doença.
Idosos precisam dormir menos?
Esse é um dos maiores mitos sobre o sono.
Na maioria dos casos, não.
Embora exista uma pequena redução na necessidade de sono em algumas pessoas, a maior parte dos adultos mais velhos continua precisando de aproximadamente 7 a 8 horas de sono por noite para manter um bom funcionamento físico e mental.
O que costuma acontecer é que o sono se torna mais fragmentado.
Ou seja, o idoso pode passar tempo suficiente na cama, mas acordar diversas vezes durante a noite, reduzindo a qualidade do descanso.
Por que muitos idosos acordam várias vezes durante a noite?
Existem diversos fatores que podem contribuir para isso.
Entre os mais comuns estão:
Alterações naturais do envelhecimento
Uso de múltiplos medicamentos
Dor crônica
Necessidade frequente de urinar durante a noite
Ansiedade ou depressão
Distúrbios respiratórios do sono, como a apneia
Síndrome das pernas inquietas
Na prática, muitas vezes não existe apenas uma causa, mas uma combinação de fatores.
A apneia do sono também é comum nos idosos
O risco de desenvolver apneia obstrutiva do sono aumenta com o avanço da idade.
Isso acontece porque ocorrem alterações naturais na musculatura das vias aéreas, além da presença mais frequente de outras condições de saúde.
Os sinais mais comuns incluem:
Ronco frequente
Engasgos durante o sono
Sono agitado
Sonolência durante o dia
Cansaço ao acordar
Dificuldade de memória e concentração
Em idosos, a apneia nem sempre se manifesta apenas com sonolência.
Ela também pode estar relacionada ao aumento do risco de hipertensão, doenças cardiovasculares, alterações cognitivas e quedas.
Cochilar durante o dia é um problema?
Depende.
Pequenos cochilos, com duração de 20 a 30 minutos, podem fazer parte de uma rotina saudável para algumas pessoas.
O problema surge quando os cochilos são muito longos ou frequentes, dificultando o sono noturno.
Além disso, a necessidade constante de dormir durante o dia pode indicar que o sono da noite não está sendo restaurador.
Quais tratamentos podem ajudar?
O tratamento depende da causa identificada.
Em muitos casos, pequenas mudanças de hábitos já trazem benefícios importantes, como:
Manter horários regulares para dormir e acordar.
Praticar atividade física regularmente, respeitando as condições de saúde.
Aproveitar a luz natural durante o dia para fortalecer o relógio biológico.
Evitar cafeína e álcool no período da noite.
Criar um ambiente silencioso, escuro e confortável para dormir.
Quando existe um distúrbio do sono, como apneia, insônia ou síndrome das pernas inquietas, o tratamento deve ser individualizado e pode incluir diferentes abordagens, desde terapias comportamentais até dispositivos específicos ou, em alguns casos, tratamento cirúrgico.
Quando procurar um especialista?
É importante buscar avaliação quando o idoso apresenta:
Dificuldade frequente para dormir.
Acorda várias vezes durante a noite.
Ronca de forma intensa.
Acorda cansado mesmo após muitas horas na cama.
Tem sonolência excessiva durante o dia.
Percebe perda de memória ou dificuldade de concentração associadas ao sono.
Esses sintomas não devem ser considerados uma consequência inevitável da idade.
Conclusão
O envelhecimento traz mudanças naturais no sono, mas isso não significa que dormir mal seja normal.
Quando o sono perde qualidade, toda a saúde pode ser afetada, comprometendo a memória, o humor, a disposição e até aumentando o risco de doenças cardiovasculares e quedas.
A boa notícia é que muitos distúrbios do sono têm diagnóstico e tratamento.
Cuidar do sono também é uma forma de promover um envelhecimento mais saudável, ativo e com melhor qualidade de vida.
Eu sou o Dr. Guilherme Brassanini, otorrinolaringologista especialista em sono, e ajudo você a identificar e tratar os fatores que interferem na qualidade do seu sono para que possa viver cada fase da vida com mais saúde, disposição e bem-estar.



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