O que atletas de alta performance podem ensinar sobre o sono?
- Guilherme William Brassanini
- há 4 dias
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Jogadores do Brasil posam para uma foto de grupo antes da partida — Foto: REUTERS/Jeenah Moon A Copa do Mundo está acontecendo e, durante os jogos, é comum vermos discussões sobre preparo físico, estratégia, alimentação e desempenho dos atletas.
Mas existe um fator que recebe cada vez mais atenção nos bastidores das grandes equipes e que pode influenciar diretamente o rendimento dentro de campo: o sono.
Hoje, clubes, seleções e atletas de elite entendem que dormir bem não é apenas uma questão de descanso. É parte do treinamento.
A qualidade do sono influencia a recuperação muscular, o tempo de reação, a concentração, a tomada de decisões e até o risco de lesões. Em um esporte onde pequenos detalhes podem decidir uma partida, o sono se tornou uma ferramenta estratégica para alcançar a máxima performance.
E essa não é uma realidade exclusiva dos jogadores profissionais.
As mesmas funções que ajudam um atleta a render melhor em uma Copa do Mundo também impactam o seu dia a dia, seja no trabalho, nos estudos, na prática esportiva ou na sua saúde.
Por isso, observar como os atletas cuidam do sono pode trazer lições valiosas para qualquer pessoa que deseja ter mais energia, disposição e qualidade de vida. O sono é quando a recuperação acontece
Durante o sono, o corpo realiza uma série de processos fundamentais para a recuperação física.
É nesse período que ocorre grande parte da liberação do hormônio do crescimento, importante para reparação muscular, recuperação dos tecidos e adaptação aos estímulos do treinamento.
Além disso, o organismo regula processos inflamatórios, fortalece o sistema imunológico e repõe parte da energia consumida ao longo do dia.
Por isso, dormir pouco não significa apenas sentir cansaço. Significa reduzir a capacidade do corpo de se recuperar adequadamente.
Desempenho físico também depende do sono
Quando pensamos em performance esportiva, normalmente imaginamos horas de treino, alimentação equilibrada e dedicação.
Mas a ciência mostra que a privação de sono pode afetar diretamente aspectos fundamentais do desempenho físico.
Dormir menos do que o necessário está associado à redução da velocidade de reação, pior coordenação motora, aumento da percepção de esforço e menor capacidade de recuperação.
Em atletas de alto rendimento, diferenças mínimas podem definir o resultado de uma partida.
Na vida cotidiana, isso pode se traduzir em menos disposição para praticar exercícios, maior fadiga e recuperação mais lenta após atividades físicas.
O cérebro também precisa dormir para performar bem
A alta performance não depende apenas dos músculos.
O cérebro exerce um papel central em qualquer atividade que exija tomada de decisão, foco e raciocínio rápido.
Durante o sono, o organismo consolida memórias, organiza informações e fortalece conexões neurais importantes para o aprendizado e a capacidade cognitiva.
É por isso que noites mal dormidas costumam ser acompanhadas por dificuldade de concentração, lapsos de memória, irritabilidade e menor produtividade.
No esporte, isso pode significar uma decisão errada em campo.
Na rotina diária, pode representar erros no trabalho, dificuldade de aprendizado ou menor rendimento nas tarefas do dia a dia.
O que os grandes atletas fazem diferente?
Nos últimos anos, muitos atletas passaram a tratar o sono com a mesma seriedade dedicada aos treinos e à alimentação.
A recuperação deixou de ser vista como tempo parado e passou a ser considerada uma etapa essencial do desempenho.
Diversos atletas de elite já relataram a importância do sono em suas rotinas, incluindo nomes como LeBron James, Roger Federer e Lionel Messi.
Embora cada um tenha hábitos diferentes, existe um ponto em comum: todos reconhecem que dormir bem faz parte da preparação para performar em alto nível.
E para quem não é atleta?
Talvez você não esteja disputando uma Copa do Mundo.
Mas seu corpo continua precisando de recuperação, seu cérebro continua precisando de descanso e seu sistema cardiovascular continua dependendo de um sono adequado para funcionar corretamente.
A verdade é que todos somos cobrados diariamente por desempenho, seja no trabalho, nos estudos, nos relacionamentos ou nos cuidados com a própria saúde.
E o sono influencia todas essas áreas.
Por isso, quando uma pessoa acorda cansada todos os dias, sente sonolência excessiva ou percebe queda de rendimento, vale a pena olhar para a qualidade do sono antes de buscar soluções mais complexas.
Como melhorar seu sono?
Algumas medidas simples podem trazer benefícios importantes:
Manter horários regulares para dormir e acordar
Evitar excesso de cafeína no fim do dia
Reduzir o uso de telas próximo ao horário de dormir
Praticar atividade física regularmente
Criar um ambiente adequado para o descanso
Evitar álcool em excesso próximo ao horário de dormir
Além disso, sintomas como ronco, despertares frequentes, sono não reparador e sonolência durante o dia merecem atenção, pois podem indicar a presença de distúrbios do sono.
Conclusão
Enquanto acompanhamos os jogos da Copa do Mundo, é fácil admirar a preparação física dos atletas que estão em campo.
Mas existe um trabalho silencioso que acontece longe dos estádios e que faz parte do desempenho de qualquer grande atleta: uma boa noite de sono.
O sono não é tempo perdido. É durante ele que o corpo recupera energia, fortalece funções essenciais e se prepara para enfrentar novos desafios.
Se até os maiores atletas do mundo entendem a importância de dormir bem, talvez seja hora de olharmos para o nosso próprio sono com a mesma atenção.
Eu sou o Dr. Guilherme Brassanini, otorrinolaringologista especialista em sono, e ajudo você a entender os fatores que impactam sua qualidade de vida para que possa dormir melhor, recuperar melhor e viver com mais disposição.



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