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Tirzepatida para apneia do sono: quando ela faz sentido e quando não faz?


Você provavelmente viu por aí, há alguns meses, a notícia que movimentou a área da saúde: a Anvisa liberou o uso da tirzepatida (Mounjaro) com uma nova indicação em bula — como opção terapêutica para pacientes com apneia obstrutiva do sono.


Mesmo tendo sido divulgada em outubro, a novidade continua gerando curiosidade e muitas dúvidas. Afinal, as chamadas "canetas emagrecedoras" realmente tratam a apneia ou é só mais uma moda passageira?


A resposta exige contexto, responsabilidade… e uma boa dose de compreensão sobre como a apneia realmente funciona.

O que é a tirzepatida e por que ela entrou nessa discussão?


A tirzepatida é uma medicação inicialmente usada para tratar diabetes tipo 2 e, depois, aprovada também para a obesidade. Seu principal efeito é a perda significativa de peso, graças à redução do apetite e melhora do controle metabólico.


Mas foi só recentemente que seu uso passou a ser autorizado com uma nova finalidade: ajudar no tratamento de pacientes que têm apneia do sono moderada a grave associada à obesidade.


Ou seja: não estamos falando de um tratamento indicado para todo mundo com apneia, mas sim para um perfil específico de paciente.


Por que a perda de peso pode ajudar na apneia?


A apneia obstrutiva do sono é uma condição multifatorial. Em outras palavras: não tem uma única causa.


Entre os fatores que mais contribuem para o surgimento (ou piora) da apneia, estão:

  • Obesidade

  • Acúmulo de gordura no pescoço, língua e vias aéreas

  • Alterações anatômicas e esqueléticas

  • Envelhecimento

  • Fatores neuromusculares


Em pessoas com excesso de peso, o acúmulo de gordura nas vias aéreas aumenta a chance de colapso durante o sono. Ao perder peso, esse risco diminui — e é nesse ponto que a tirzepatida mostrou resultados interessantes.


Então… a caneta emagrecedora trata a apneia do sono?


Sim, pode tratar — mas com uma condição importante: em pacientes com obesidade.


A tirzepatida atua justamente em um dos principais gatilhos da apneia nesse perfil de paciente. Mas é importante deixar claro que:

  • Ela não trata todas as causas da apneia

  • Não substitui tratamentos como CPAP, dispositivos intraorais ou cirurgias

  • Não corrige alterações anatômicas estruturais

  • Não é indicada para todo mundo


Na prática, mesmo que a pessoa obesa perca peso com a medicação, outros fatores podem continuar interferindo: desvio de septo, aumento de amígdalas, flacidez das vias aéreas, alterações neuromusculares, entre outros.


Ou seja: a melhora pode acontecer, mas não necessariamente será completa — por isso, o acompanhamento com especialista continua sendo essencial.


A apneia continua sendo uma doença multifatorial


Essa liberação da tirzepatida é uma ótima notícia, sem dúvida. Ela amplia as opções de tratamento e dá respaldo a uma medicação com evidência científica. Mas é preciso reforçar: apneia do sono não é uma doença de causa única.


O tratamento pode envolver uma ou mais abordagens:

  • Mudança de hábitos

  • Perda de peso

  • CPAP

  • Dispositivos intraorais

  • Tratamentos clínicos

  • Cirurgias, quando bem indicadas


A medicação entra como parte de um plano terapêutico individualizado, e não como solução mágica ou universal.


A importância da avaliação com um especialista em sono


Nem todo paciente com apneia deve usar a caneta emagrecedora. E nem todo paciente que usa vai ter melhora completa.


A decisão deve ser feita com critério e responsabilidade, considerando:

  • Gravidade da apneia

  • Presença de obesidade

  • Anatomia das vias aéreas

  • Riscos e benefícios da medicação

  • Expectativas realistas


Por isso, é fundamental buscar avaliação com um otorrinolaringologista com formação em medicina do sono, que entenda a apneia de forma global e saiba personalizar o tratamento.


Conclusão


A tirzepatida não é só marketing. Existe ciência por trás da indicação.


Ela pode sim ajudar pacientes com apneia obstrutiva do sono e obesidade a terem uma melhora importante no quadro — mas isso não exclui outras causas da doença, nem dispensa o acompanhamento especializado.


Dormir bem é muito mais do que tomar uma medicação: é sobre entender o seu corpo, corrigir os fatores envolvidos e cuidar da saúde de forma completa.


Eu sou o Dr. Guilherme Brassanini, otorrinolaringologista e especialista em sono, e meu propósito é te ajudar a voltar a dormir bem — com ciência, estratégia e individualização.


Quer saber se esse pode ser o seu caso? Agende uma avaliação e vamos conversar.

 
 
 

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