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Ronco e Apneia do Sono: Por Que Procurar um Especialista Pode Fazer Toda a Diferença — Mas Não Deve Ser o Único Caminho

Roncar não é apenas um incômodo social. E a apneia do sono definitivamente não é um problema simples com uma única causa ou solução mágica.


Ainda é comum que muitos enxerguem o ronco e a apneia como algo “simples de resolver”: basta perder peso, usar um aparelho ou operar o nariz. Mas a realidade é bem mais complexa. São condições multifatoriais que merecem uma avaliação cuidadosa, individualizada e, muitas vezes, multiprofissional.


E é aí que entra a importância do especialista em medicina do sono — especialmente o otorrinolaringologista com experiência nessa área.



Ronco e apneia do sono: um quebra-cabeça com várias peças:


O ronco e a apneia obstrutiva do sono são causados por um colapso parcial ou total das vias aéreas durante o sono. Mas esse colapso pode acontecer por diferentes motivos, que variam de pessoa para pessoa.


Entre os fatores mais comuns estão:


  • Alterações anatômicas nas vias aéreas;

  • Obstrução nasal crônica;

  • Sobrepeso e obesidade;

  • Flacidez muscular;

  • Padrões respiratórios inadequados;

  • Consumo de álcool ou sedativos;

  • Posição ao dormir;

  • Alterações neuromusculares.


Ou seja: não há uma única causa, e muito menos um único tratamento que funcione para todos.


Avaliação completa: a base de um tratamento eficaz:


Tratar o ronco ou a apneia sem investigar bem a causa é como tentar resolver um quebra-cabeça olhando apenas uma peça.

O especialista em medicina do sono tem uma visão ampla do paciente. Ele considera:


  • História clínica e hábitos de sono;

  • Sintomas diurnos como sonolência e cansaço;

  • Exame físico focado nas vias aéreas superiores;

  • Exames como a polissonografia;

  • Riscos associados, como impactos cardiovasculares e metabólicos.


Essa abordagem ajuda a entender a gravidade do caso e definir o tratamento mais adequado para cada pessoa.


O papel do otorrinolaringologista especialista em sono:


O otorrino tem um olhar detalhado sobre as vias aéreas superiores, justamente onde acontece o problema. Quando também é especialista em sono, consegue:


  • Identificar alterações que outros profissionais não veem;

  • Avaliar diferentes abordagens terapêuticas (clínicas, comportamentais, cirúrgicas, etc.);

  • Integrar diferentes tratamentos;

  • Acompanhar a resposta ao longo do tempo.


Mas aqui vale uma pausa importante.

E quem não tem acesso a um especialista?


Infelizmente, ainda são poucos os profissionais com formação sólida em medicina do sono no Brasil, especialmente fora dos grandes centros urbanos. Por isso, nem sempre é possível contar com um especialista logo de início.


Nesses casos, o ideal é não deixar o problema para depois. Se você ou alguém próximo apresenta sintomas como ronco alto, sono não reparador ou sonolência excessiva durante o dia, é fundamental procurar ajuda médica, mesmo que inicialmente com um clínico geral ou médico da atenção primária.


Quanto antes o assunto for levado a sério, maiores as chances de um encaminhamento correto para investigação e tratamento.


Um olhar para o futuro:


Sou entusiasta da formação de novos médicos com conhecimento sólido em sono. Acredito que, com educação médica continuada e mais acesso à informação, vamos conseguir ampliar o diagnóstico precoce e o tratamento adequado de norte a sul do país.


Enquanto isso, a mensagem é clara:


  • Se possível, procure um profissional com experiência em sono.

  • Se não for possível agora, não ignore os sintomas e comece por onde der.


Conclusão:


Ronco e apneia do sono são condições sérias, multifatoriais e que merecem atenção. O especialista em sono tem papel fundamental no diagnóstico e no tratamento, mas todo médico pode e deve ser um ponto de partida na jornada de cuidado com o sono.


Quanto mais profissionais se interessarem, estudarem e se capacitarem nessa área, mais pessoas terão acesso a um sono de qualidade e, com isso, a uma vida com mais saúde e bem-estar.

 
 
 

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