Ronco e Apneia do Sono: Por Que Procurar um Especialista Pode Fazer Toda a Diferença — Mas Não Deve Ser o Único Caminho
- Guilherme William Brassanini
- há 4 dias
- 3 min de leitura
Roncar não é apenas um incômodo social. E a apneia do sono definitivamente não é um problema simples com uma única causa ou solução mágica.
Ainda é comum que muitos enxerguem o ronco e a apneia como algo “simples de resolver”: basta perder peso, usar um aparelho ou operar o nariz. Mas a realidade é bem mais complexa. São condições multifatoriais que merecem uma avaliação cuidadosa, individualizada e, muitas vezes, multiprofissional.
E é aí que entra a importância do especialista em medicina do sono — especialmente o otorrinolaringologista com experiência nessa área.

Ronco e apneia do sono: um quebra-cabeça com várias peças:
O ronco e a apneia obstrutiva do sono são causados por um colapso parcial ou total das vias aéreas durante o sono. Mas esse colapso pode acontecer por diferentes motivos, que variam de pessoa para pessoa.
Entre os fatores mais comuns estão:
Alterações anatômicas nas vias aéreas;
Obstrução nasal crônica;
Sobrepeso e obesidade;
Flacidez muscular;
Padrões respiratórios inadequados;
Consumo de álcool ou sedativos;
Posição ao dormir;
Alterações neuromusculares.
Ou seja: não há uma única causa, e muito menos um único tratamento que funcione para todos.
Avaliação completa: a base de um tratamento eficaz:
Tratar o ronco ou a apneia sem investigar bem a causa é como tentar resolver um quebra-cabeça olhando apenas uma peça.
O especialista em medicina do sono tem uma visão ampla do paciente. Ele considera:
História clínica e hábitos de sono;
Sintomas diurnos como sonolência e cansaço;
Exame físico focado nas vias aéreas superiores;
Exames como a polissonografia;
Riscos associados, como impactos cardiovasculares e metabólicos.
Essa abordagem ajuda a entender a gravidade do caso e definir o tratamento mais adequado para cada pessoa.
O papel do otorrinolaringologista especialista em sono:
O otorrino tem um olhar detalhado sobre as vias aéreas superiores, justamente onde acontece o problema. Quando também é especialista em sono, consegue:
Identificar alterações que outros profissionais não veem;
Avaliar diferentes abordagens terapêuticas (clínicas, comportamentais, cirúrgicas, etc.);
Integrar diferentes tratamentos;
Acompanhar a resposta ao longo do tempo.
Mas aqui vale uma pausa importante.
E quem não tem acesso a um especialista?
Infelizmente, ainda são poucos os profissionais com formação sólida em medicina do sono no Brasil, especialmente fora dos grandes centros urbanos. Por isso, nem sempre é possível contar com um especialista logo de início.
Nesses casos, o ideal é não deixar o problema para depois. Se você ou alguém próximo apresenta sintomas como ronco alto, sono não reparador ou sonolência excessiva durante o dia, é fundamental procurar ajuda médica, mesmo que inicialmente com um clínico geral ou médico da atenção primária.
Quanto antes o assunto for levado a sério, maiores as chances de um encaminhamento correto para investigação e tratamento.
Um olhar para o futuro:
Sou entusiasta da formação de novos médicos com conhecimento sólido em sono. Acredito que, com educação médica continuada e mais acesso à informação, vamos conseguir ampliar o diagnóstico precoce e o tratamento adequado de norte a sul do país.
Enquanto isso, a mensagem é clara:
Se possível, procure um profissional com experiência em sono.
Se não for possível agora, não ignore os sintomas e comece por onde der.
Conclusão:
Ronco e apneia do sono são condições sérias, multifatoriais e que merecem atenção. O especialista em sono tem papel fundamental no diagnóstico e no tratamento, mas todo médico pode e deve ser um ponto de partida na jornada de cuidado com o sono.
Quanto mais profissionais se interessarem, estudarem e se capacitarem nessa área, mais pessoas terão acesso a um sono de qualidade e, com isso, a uma vida com mais saúde e bem-estar.



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