Tenho ronco ou apneia do sono. Vou ter que usar CPAP?
- Guilherme William Brassanini
- há 17 minutos
- 3 min de leitura

Essa é, sem dúvida, uma das perguntas mais frequentes que recebo no consultório. Muita gente chega já imaginando que receber o diagnóstico de apneia do sono é sinônimo de dormir conectado a um aparelho pelo resto da vida.
Mas calma... isso nem sempre é verdade.
Antes de mais nada: o que é o CPAP?
O CPAP (Continuous Positive Airway Pressure) é um equipamento que mantém as vias aéreas abertas durante o sono, por meio de uma pressão contínua de ar. E sim: é o tratamento padrão para muitos casos de apneia obstrutiva do sono, principalmente os moderados a graves.
Quando bem indicado e ajustado corretamente, o CPAP pode:
✅ Reduzir (às vezes quase eliminar) os eventos de apneia
✅ Melhorar a oxigenação noturna
✅ Reduzir a sonolência diurna
✅ Diminuir riscos cardiovasculares
✅ E principalmente: restaurar a qualidade de vida de forma rápida e impactante
Ou seja: quando a indicação é clara, é muito difícil que outra terapia isolada consiga substituí-lo com a mesma eficácia.
Mas nem todo paciente vai precisar usar CPAP
A apneia do sono é uma condição multifatorial — e o tratamento também deve ser. Existem diferentes causas para a apneia: desde alterações anatômicas, excesso de peso, flacidez muscular das vias aéreas, até fatores neurológicos ou hormonais.
Por isso, em casos leves ou moderados, ou quando identificamos um fator predominante e corrigível, podemos sim considerar outras estratégias, como:
🔹 Dispositivos intraorais (aparelho mandibular)
🔹 Cirurgias bem indicadas
🔹 Mudanças de posição ao dormir (terapia posicional)
🔹 Controle de peso
🔹 Fonoterapia, exercícios respiratórios, ergonomia do sono
🔹 Tratamentos como o laser intraoral
Tudo isso pode funcionar — mas depende do caso.
Quando o CPAP é necessário e o paciente não se adapta... o que fazer?
Agora aqui vai um ponto muito importante:
Em casos em que há uma clara indicação para o CPAP, mas o paciente não consegue usar (por adaptação ou outra limitação), muitas vezes é preciso combinar terapias para realmente reduzir a apneia.
Ou seja, um único tratamento pode não ser suficiente.
Nesses casos, o caminho pode ser a associação de abordagens, como:
👉 Aparelho intraoral + fonoterapia
👉 Laser + mudanças de estilo de vida
👉 Perda de peso + reposicionamento postural
👉 Treino muscular + ergonomia do sono
A combinação de estratégias, quando bem planejada, pode sim trazer resultados significativos — mas deve ser feita com critério clínico e acompanhamento de um especialista.
E aqui vai uma provocação:
🚫 Desconfie de quem promete substituir o CPAP por terapias "milagrosas".
Mesmo quando o profissional utiliza uma técnica reconhecida (como o laser ou o aparelho intraoral), se a única solução oferecida for justamente aquilo que ele vende, ligue o alerta.
Quem só oferece o que tem para vender, e não o que o paciente realmente precisa, tem grande chance de estar tentando vender a si mesmo — e não uma solução de verdade.
Conclusão
Receber um diagnóstico de ronco ou apneia do sono não significa, automaticamente, que você terá que usar CPAP.
Mas se houver uma indicação clara — baseada em exame, avaliação clínica, gravidade e riscos associados —, essa decisão deve ser respeitada. Afinal, estamos falando da sua saúde, do seu sono e do seu coração.
Existem, sim, alternativas e até possibilidades de combinar tratamentos para melhorar o quadro. Mas isso só funciona quando existe personalização, responsabilidade e ciência.
📍 Eu sou o Dr. Guilherme Brassanini, otorrino e especialista em medicina do sono, e minha missão é te ajudar a entender de forma clara o que está por trás do seu ronco ou da sua apneia — e, juntos, definirmos o melhor caminho para você dormir melhor e viver com mais energia.
Me acompanha no Instagram @drguilhermebrassanini
pra continuar aprendendo sobre sono — de forma leve, sem fórmulas mágicas, mas com ciência e propósito.



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