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Tenho ronco ou apneia do sono. Vou ter que usar CPAP?


Essa é, sem dúvida, uma das perguntas mais frequentes que recebo no consultório. Muita gente chega já imaginando que receber o diagnóstico de apneia do sono é sinônimo de dormir conectado a um aparelho pelo resto da vida.


Mas calma... isso nem sempre é verdade.



Antes de mais nada: o que é o CPAP?

O CPAP (Continuous Positive Airway Pressure) é um equipamento que mantém as vias aéreas abertas durante o sono, por meio de uma pressão contínua de ar. E sim: é o tratamento padrão para muitos casos de apneia obstrutiva do sono, principalmente os moderados a graves.


Quando bem indicado e ajustado corretamente, o CPAP pode:

✅ Reduzir (às vezes quase eliminar) os eventos de apneia

✅ Melhorar a oxigenação noturna

✅ Reduzir a sonolência diurna

✅ Diminuir riscos cardiovasculares

✅ E principalmente: restaurar a qualidade de vida de forma rápida e impactante


Ou seja: quando a indicação é clara, é muito difícil que outra terapia isolada consiga substituí-lo com a mesma eficácia.


Mas nem todo paciente vai precisar usar CPAP

A apneia do sono é uma condição multifatorial — e o tratamento também deve ser. Existem diferentes causas para a apneia: desde alterações anatômicas, excesso de peso, flacidez muscular das vias aéreas, até fatores neurológicos ou hormonais.


Por isso, em casos leves ou moderados, ou quando identificamos um fator predominante e corrigível, podemos sim considerar outras estratégias, como:

🔹 Dispositivos intraorais (aparelho mandibular)

🔹 Cirurgias bem indicadas

🔹 Mudanças de posição ao dormir (terapia posicional)

🔹 Controle de peso

🔹 Fonoterapia, exercícios respiratórios, ergonomia do sono

🔹 Tratamentos como o laser intraoral


Tudo isso pode funcionar — mas depende do caso.


Quando o CPAP é necessário e o paciente não se adapta... o que fazer?


Agora aqui vai um ponto muito importante:

Em casos em que há uma clara indicação para o CPAP, mas o paciente não consegue usar (por adaptação ou outra limitação), muitas vezes é preciso combinar terapias para realmente reduzir a apneia.


Ou seja, um único tratamento pode não ser suficiente.

Nesses casos, o caminho pode ser a associação de abordagens, como:

👉 Aparelho intraoral + fonoterapia

👉 Laser + mudanças de estilo de vida

👉 Perda de peso + reposicionamento postural

👉 Treino muscular + ergonomia do sono


A combinação de estratégias, quando bem planejada, pode sim trazer resultados significativos — mas deve ser feita com critério clínico e acompanhamento de um especialista.


E aqui vai uma provocação:

🚫 Desconfie de quem promete substituir o CPAP por terapias "milagrosas".


Mesmo quando o profissional utiliza uma técnica reconhecida (como o laser ou o aparelho intraoral), se a única solução oferecida for justamente aquilo que ele vende, ligue o alerta.

Quem só oferece o que tem para vender, e não o que o paciente realmente precisa, tem grande chance de estar tentando vender a si mesmo — e não uma solução de verdade.


Conclusão

Receber um diagnóstico de ronco ou apneia do sono não significa, automaticamente, que você terá que usar CPAP.


Mas se houver uma indicação clara — baseada em exame, avaliação clínica, gravidade e riscos associados —, essa decisão deve ser respeitada. Afinal, estamos falando da sua saúde, do seu sono e do seu coração.


Existem, sim, alternativas e até possibilidades de combinar tratamentos para melhorar o quadro. Mas isso só funciona quando existe personalização, responsabilidade e ciência.


📍 Eu sou o Dr. Guilherme Brassanini, otorrino e especialista em medicina do sono, e minha missão é te ajudar a entender de forma clara o que está por trás do seu ronco ou da sua apneia — e, juntos, definirmos o melhor caminho para você dormir melhor e viver com mais energia.


Me acompanha no Instagram @drguilhermebrassanini

pra continuar aprendendo sobre sono — de forma leve, sem fórmulas mágicas, mas com ciência e propósito.



 
 
 

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